Presente carioca bom e antigo para o aniversário de Teresópolis na Matriz

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Grupo Vocal Rio Antigo, com roupas de época e afinadíssimo, deu show com a música brasileira do início do Século 20 em mais uma versão da “Música na Matriz”

O Rio Antigo subiu a Serra e encarou o frio em Teresópolis na tarde de domingo, 02 de julho de 2017. O frio ambiente apenas, diga-se. Porque a apresentação do animado Grupo Vocal Rio Antigo esquentou a mais recente versão do projeto “Música Na Matriz”, que acontece todo primeiro domingo do mês, na Igreja Matriz de Santa Teresa, no Centro da cidade. O show, por sinal, fez parte das comemorações pelos 126 anos de Teresópolis, comemorados no dia 06 de julho.

Vestidos a caráter, com roupas de época (início do século 20), as sete mulheres e quatro homens — entre estes o sorridente e simpático maestro Celso Branco — apresentaram 11 canções de nomes como Noel Rosa, Ernesto Nazareth e Ismael Silva, entre outros. “Cidade Mulher”, de Noel, abriu o espetáculo. “A música foi uma homenagem de Noel Rosa à cidade do Rio de Janeiro”, explicou Branco, antes de o grupo — que tem dois anos — começar a cantar versos como “Cidade do Amor/ Cidade Mulher (…)”. “Nossa intenção é resgatar a música do Rio Antigo, especialmente aquela que está quase esquecida, que não toca em lugar nenhum. Nosso repertório vai de ‘Mil e Novecentos e Pouquinho’ a ‘Mil e Novecentos e Cinquenta e Pouquinho’”, brincou o maestro.

Uma dessas canções esquecidas foi um maxixe anônimo, “Nêgo Véio Quando Morre”, seguida de “Brejeiro” — este um famoso chorinho de Ernesto Nazareth — e de uma versão com arranjo mais moderno de Celso Branco para outro maxixe anônimo da década de 20: “Ou Vai ou Racha”, que critica o moralismo da época, em que os namoros eram quase clandestinos.

Noel Rosa “voltou” no samba “Cansei de Implorar”, que era parte de uma peça radiofônica, “A Noiva do Condutor”, também sobre os percalços e atritos que os enamorados enfrentavam para se encontrar. A divertida valsa “Como Todo Mundo”, de André Hornez, Paul Miraski e Haroldo Barbosa, deu um tom mais galhofeiro ao espetáculo. Tudo com a maior classe, claro. E, como “não poderia faltar o Carnaval”, nas palavras do maestro, o grupo interpretou três marchinhas seguidas: a conhecidíssima “Turma do Funil”, de Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro; a nem tão conhecida “Jacarepaguá”, de Paquito, Romeu Gentil e Mauro Pinto; e a também popular “Daqui Não Saio”, de Paquito e Romeu Gentil.

O show teve seu momento “Clube da Luluzinha”, quando apenas as mulheres do grupo interpretaram o samba “Tipo Zero”, de Noel Rosa, que também é parte da peça “A Noiva do Condutor”. Lembrando que alguns problemas da cidade do Rio são “eternos”, Celso Branco anunciou o samba-choro “Cidade Lagoa”, de Sebastião Fonseca e Cícero Nunes, que fala de forma bem-humorada sobre as enchentes que até hoje assolam a capital do estado quando chove mais forte.

Em seguida, outro momento “brejeiro” (com a licença de Ernesto Nazareth) no espetáculo: a mais que conhecida “Tem Que Rebolar”, um samba composto para o teatro de revista por José Batista e Magno de Oliveira nos anos 1950, mas bastante popularizado nos anos 60. “Tenho uma lembrança boa dessa música com Oscarito e Sônia Mamede cantando-a num filme da Atlântida”, comentou Branco, emocionado.

O show terminaria com o chorinho “Odeon”, de Ernesto Nazareth, muito bem executado pelo grupo. Mas, um “coro” puxado pela organizadora da “Música na Matriz”, Célia Seabra, e encorajado pela dama do teatro teresopolitano, Edinar Corradini, entre outros na plateia, fez o Rio Antigo executar um “bis”: o samba “Se Você Jurar”, de Ismael Silva. Ao final, aplaudidos de pé, os componentes pediram para o maestro anunciar que, no dia 11 de novembro deste ano, o grupo voltará a Teresópolis para participar do Festival “Canta Terê”, de corais e grupos vocais, no Comary. Dado o recado, o frio foi novamente encarado no caminho de volta para casa, mas com o coração aquecido pela boa música brasileira.

Texto: Ney Reis
Fotos: Jorge Maravilha / Ascom PMT

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